Parecer europeu destaca o papel do andar a pé e da bicicleta no combate à pobreza em transportes.

O Comité das Regiões da União Europeia (CR) publicou um novo Parecer sobre a pobreza em matéria de transportes, destacando a mobilidade ativa (andar a pé e de bicicleta) como elemento essencial para garantir a coesão social, territorial e económica em toda a União. Num contexto em que milhões de europeus enfrentam barreiras de acessibilidade, o documento reforça que pequenas intervenções de proximidade podem gerar impactos profundos e imediatos na vida das pessoas.

 

Intervenções simples, impacto real

O CR sublinha que medidas de baixo custo, como melhorar passeios, criar percursos pedonais seguros e instalar estacionamento para bicicletas, são passos cruciais para aumentar as opções de mobilidade sobretudo em zonas onde o transporte público é limitado. Estas intervenções, muitas vezes negligenciadas em estratégias de mobilidade de maior escala, revelam-se fundamentais para:

  • melhorar o acesso ao emprego, educação e serviços essenciais;
  • reduzir desigualdades entre territórios urbanos e rurais;
  • oferecer alternativas de mobilidade a grupos vulneráveis;
  • e diminuir a dependência do automóvel, reduzindo custos para as famílias.

 

Mobilidade ativa é infraestrutura social

O parecer reforça que a mobilidade pedonal e ciclável não deve ser encarada como acessória, mas como infraestrutura social crítica para o bem‑estar coletivo. Ruas seguras para caminhar e pedalar são essenciais para promover:

  • igualdade de oportunidades,
  • inclusão social,
  • saúde pública,
  • ambientes urbanos mais seguros e menos poluídos,
  • e comunidades mais resilientes.

Ao valorizar a mobilidade ativa, as regiões europeias contribuem também para a transição climática, reduzindo emissões e melhorando a qualidade do ar, especialmente nos centros urbanos.

 

Soluções locais para desafios reais

O Comité das Regiões destaca ainda que as soluções mais eficazes para combater a pobreza nos transportes são desenhadas ao nível local, com participação direta das comunidades. Em muitos municípios, particularmente nas zonas rurais e periféricas, a melhoria dos espaços pedonais e cicláveis é a forma mais rápida e eficiente de ampliar as opções de mobilidade.

Em territórios onde o acesso ao transporte público é escasso, caminhos seguros para andar a pé ou de bicicleta podem representar a diferença entre uma comunidade isolada e uma comunidade conectada.

Uma oportunidade estratégica para Portugal

Com desigualdades territoriais acentuadas e uma dependência estrutural do automóvel, Portugal tem aqui uma oportunidade clara: colocar a mobilidade ativa no centro das políticas públicas de mobilidade e coesão social.

Entre as ações prioritárias destacam‑se:

  • reforço e requalificação da rede pedonal urbana e rural;
  • criação de corredores cicláveis seguros e bem conectados;
  • integração de modos ativos com o transporte público;
  • e investimentos contínuos em segurança rodoviária para utilizadores vulneráveis.

Estas medidas, alinhadas com o Parecer europeu, podem contribuir para aproximar comunidades, reduzir custos das famílias, melhorar a saúde pública e promover cidades mais humanas.

🔗 O Parecer oficial (em português) pode ser consultado aqui