Manifesto europeu propõe dez medidas concretas para reforçar a mobilidade ativa, reduzir o consumo de combustíveis fósseis e tornar os transportes mais acessíveis, resilientes e sustentáveis.

Num contexto de renovadas tensões geopolíticas, perturbações no abastecimento energético e aumento dos preços dos combustíveis, uma coligação de organizações europeias ligadas à mobilidade ativa defendeu o reforço urgente do uso da bicicleta como resposta rápida, acessível e energeticamente eficiente para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis.

No manifesto Achieving energy independence and affordable transport for all: 10 measures to leverage cycling, publicado a 22 de abril de 2026, são apresentadas dez medidas concretas, de curto e de longo prazo, destinadas a promover uma transferência modal do automóvel para os modos ativos, em particular para a bicicleta.

O documento surge em resposta à recente comunicação da Comissão Europeia sobre energia acessível e segura, defendendo um reconhecimento mais robusto da bicicleta e da mobilidade ativa como soluções imediatas e custo-eficazes para reduzir a procura energética associada aos transportes.

O manifesto recorda que a bicicleta é, de longe, o modo de transporte mais eficiente do ponto de vista energético: um quilómetro percorrido de bicicleta consome até 27 vezes menos energia do que o mesmo percurso realizado de automóvel. Tendo em conta que, na Europa, são efetuadas diariamente cerca de 100 milhões de deslocações urbanas curtas em automóvel, muitas com menos de 5 a 10 km, o potencial de transferência modal é significativo. Acresce que a substituição de apenas 10 km diários de deslocações em automóvel pode representar poupanças anuais até 500 euros por agregado familiar, em combustível e manutenção.

Entre as cinco ações imediatas propostas contam-se a criação temporária de corredores cicláveis por reafetação do espaço público, a redução dos limites de velocidade urbanos para 30 km/h, o reforço de incentivos financeiros à aquisição e reparação de bicicletas e bicicletas elétricas, a realização regular de dias sem carros e a promoção do cicloturismo, bem como da integração da bicicleta no transporte público.

No plano estrutural, o manifesto propõe cinco reformas de longo prazo: o alargamento de regimes de leasing de bicicletas com incentivos fiscais, a afetação de pelo menos 10% dos orçamentos de transportes à mobilidade ativa, a construção de redes cicláveis contínuas e de elevada qualidade, o desenvolvimento de programas integrados de bicicleta para a escola e o reforço da capacidade institucional para o planeamento da mobilidade ativa.

Investir na mobilidade em bicicleta não só contribui para reduzir o consumo energético e as emissões, como reforça a resiliência europeia, melhora a saúde pública e torna a mobilidade mais acessível para todos.