A recomendação dirigida a Portugal reforça a importância de acelerar a descarbonização dos transportes, valorizando soluções de mobilidade mais sustentáveis, incluindo o transporte público, a mobilidade ativa e a qualificação do espaço urbano.

A Comissão Europeia apresentou, no dia 3 de junho de 2026, o pacote da primavera do Semestre Europeu de 2026, que define orientações políticas dirigidas aos Estados-Membros num contexto marcado pela incerteza geopolítica, pelos desafios da transição energética e pela necessidade de reforçar a resiliência económica e social da União Europeia.

O Semestre Europeu constitui o principal processo anual de coordenação das políticas económicas, sociais, orçamentais e estruturais da União Europeia. Através deste mecanismo, a Comissão Europeia analisa a evolução económica e social de cada Estado-Membro e apresenta recomendações específicas por país, orientadas para os principais desafios identificados.

No relatório de 2026 relativo a Portugal, a Comissão Europeia identifica um conjunto alargado de prioridades, incluindo a sustentabilidade das finanças públicas, a habitação, a inovação, a simplificação administrativa, a eficiência energética, a gestão da água e dos resíduos, a adaptação às alterações climáticas, as competências, a saúde e a continuidade das reformas e investimentos associados ao Mecanismo de Recuperação e Resiliência.

Entre as recomendações dirigidas a Portugal, destaca-se a necessidade de acelerar a descarbonização dos transportes e da indústria, nomeadamente através da eliminação progressiva dos subsídios aos combustíveis fósseis e do incentivo ao investimento nos transportes públicos.

Esta recomendação assume particular relevância para a promoção da mobilidade ativa, enquanto componente essencial de um sistema de mobilidade mais sustentável, eficiente, inclusivo e resiliente. A aposta nas deslocações a pé e de bicicleta contribui para a redução das emissões de gases com efeito de estufa, para a melhoria da qualidade do ar, para a redução da dependência energética, para a promoção da saúde pública e para a valorização do espaço urbano.

A mobilidade ativa desempenha um papel complementar e estratégico na transição para sistemas de transporte mais limpos e acessíveis, articulando-se com o reforço do transporte público, a melhoria da intermodalidade, a qualificação do espaço público e a promoção de cidades mais seguras, saudáveis e inclusivas.

O pacote da primavera do Semestre Europeu de 2026 reforça ainda a importância da coesão social e territorial, da preparação para as alterações climáticas e da resiliência das infraestruturas críticas, dimensões que se cruzam diretamente com os objetivos das políticas públicas de mobilidade ativa.

A Comissão Europeia convida agora o Eurogrupo e o Conselho a debaterem o pacote de medidas apresentado, prosseguindo o diálogo com o Parlamento Europeu e com os Estados-Membros ao longo das etapas seguintes do ciclo de coordenação económica do Semestre Europeu.